
Nelson Pereira dos Santos foi 1º diretor eleito para a Academia Brasileira de Letras
Rio, 40 Graus é o segundo filme do diretor Nelson Pereira do Santos, um dos pioneiros na criação do Cinema Novo, movimento dos anos 60 que deu novos parâmetros à cinematografia brasileira.
O longa gira em torno de cinco garotos que moram na favela e são vendedores de amendoim, além de permear a história de um casal às vésperas do casamento, um torcedor fanático no Maracanã, uma namorada grávida de um policial, um jogador que treme na decisão do campeonato, a eleição da rainha de uma escola de samba, entre outras histórias.
O filme integrou o 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que homenageou o diretor ao exibir Vidas Secas (1963), El justicero (1967), Como era gostoso o meu francês (1971), O amuleto de Ogum (1974), Memórias do cárcere (1984) e Rio, 40 Graus (1955).
Este último chegou a ser proibido pelo então chefe de polícia do Distrito Federal, coronel Geraldo de Menezes Cortes, alegando que o filme mostrava apenas aspectos negativos do Brasil. Ela ainda teria afirmado que o título do longa era uma grande mentira, já que “a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6 graus”.
Com a intensa campanha de estudantes e da imprensa, o longa foi liberado em 31 de dezembro de 1955 e lançado comercialmente no Rio em março de 1956.
As cenas finais de Rio, 40 graus são extremamente discrepantes, pois mostram a alegria de Alice (interpretada por Claudia Morena) ao ser coroada Rainha da Escola de Samba Unidos do Cabuçu e a apreensão da mãe de Jorge, a espera do filho que não voltará pra casa.
Pereira dos Santos, que compareceu ao Festival de Cinema, no CineSesc, em São Paulo, declarou que as favelas da década de 50 eram praticamente rurais e que em torno de 200.000 pessoas povoavam as do Rio de Janeiro.
Leia especial 50 anos do filme Rio, 40 graus da revista Época.